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Desemprego registra queda no ABC

Destaque em agosto, setor de Serviços gera 5 mil postos de trabalho

29/09/2016

A taxa de desemprego nos municípios do ABC caiu para 16,4% em agosto, ante 16,8% em julho, depois de registrar estabilidade por dois meses consecutivos. Na análise por setores, destaque para o segmento de Serviços, com geração de 5 mil postos de trabalho. Os números são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, divulgada nesta quinta-feira (29), na sede da entidade regional.

O total de ocupados permaneceu próximo da estabilidade, com leve alta de 0,2%, passando a ser estimado em 1.193 mil pessoas. “Os números mostram uma tendência à estabilidade dos indicadores, mas ainda passamos por um momento muito incomum por causa da crise. Apesar de estável, o nível de ocupação segue baixo”, afirmou César Andaku, economista do Dieese, durante a apresentação da pesquisa.

O total de desempregados na região foi estimado em 234 mil pessoas, 6 mil a menos em relação ao mês anterior. O resultado foi influenciado pela redução de 0,3% da População Economicamente Ativa (PEA), com 4 mil pessoas deixando a força de trabalho da região, e uma alta de 0,2% do nível de ocupação (geração de 2 mil postos de trabalho).

Na análise setorial, a geração de 5 mil vagas nos Serviços influenciou positivamente o resultado, enquanto o Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas manteve-se estável. No sentido inverso, a Indústria de Transformação recuou 2,2%, com eliminação de 6 mil postos de trabalho, com destaque para a queda de 5,6% do segmento de metal-mecânica, com perda de 8 mil postos.

“Os Serviços têm um peso muito grande na região, pois correspondem a 56% do total de ocupados. O setor registrou quatro altas seguidas neste ano, entre março e junho, e agora está com um comportamento que tende à estabilidade. No caso da Indústria, o desempenho está no mesmo nível do segundo semestre do ano passado”, disse Andaku.

Em agosto, o número de assalariados na região recuou 2,2%. No setor privado, caíram o contingente de empregados com carteira de trabalho assinada (-0,4%) e o daqueles sem carteira (-1,1%). No setor público, o número de assalariados retraiu 16,2%. No mês em análise, o contingente de autônomos aumentou 2,2%, refletindo a expansão de 5,9% para os que trabalham para o público, ao mesmo tempo em que houve redução de 2,4% para os que trabalham para empresa.

Entre junho e julho de 2016, o rendimento médio real dos ocupados cresceu 0,7% e o dos assalariados recuou 0,7%, que passaram a equivaler a R$ 2.201 e R$ 2.237, respectivamente. Permaneceram próximas da estabilidade as massas de rendimentos de ocupados (0,1%) e assalariados (0,3%), no primeiro caso, como resultado de aumento do rendimento médio e redução do nível de ocupação, enquanto, para os assalariados, como decorrência do crescimento do nível de emprego e da redução do salário médio real.

Comportamento em 12 meses

O índice de desemprego total no ABC em agosto deste ano (16,4%) superou o registrado no mesmo mês de 2015 (13,6%). O índice é o mais alto para o mês desde agosto de 2005, quando atingiu 16,8%. Na comparação anual, o contingente de desempregados aumentou em 46 mil pessoas, como resultado do crescimento de 3,3% da População Economicamente Ativa (PEA), com 46 mil pessoas passando a fazer parte da força de trabalho da região,

“Apesar de ruins, os números estão longe do cenário que vivemos no fim da década de 1990. No entanto, por conta da crise atual, relações típicas foram alteradas, como, por exemplo, as vendas no Comércio em períodos próximos a datas comemorativas”, afirmou o economista do Dieese.

Entre agosto de 2015 e de 2016, o nível de ocupação permaneceu inalterado. Sob a ótica setorial, o resultado foi motivado pelo crescimento de 2,0% nos Serviços (geração de 13 mil postos de trabalho), da estabilidade na Indústria de Transformação e da redução de 2% no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (eliminação de 4 mil postos de trabalho).

O nível de assalariamento diminui 0,7% nos últimos 12 meses. No setor privado, o contingente de assalariados com carteira de trabalho praticamente não variou (0,1%), enquanto o daqueles sem carteira recuou 17,8%. O emprego no setor público decresceu 0,9%.

Entre junho de 2015 e de 2016, caíram os rendimentos médios reais de ocupados (-0,9%) e assalariados (-2,8%). Também diminuíram as massas de rendimentos reais dos ocupados (-2,6%) e dos assalariados (-2,2%). Esse resultado ocorreu, no caso dos ocupados, devido às reduções do nível de ocupação e, em menor medida, do rendimento médio real e, entre os assalariados, ao decréscimo do salário médio real, uma vez que aumentou o nível de emprego.

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