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Com alta na ocupação, desemprego no ABC cai pelo terceiro mês consecutivo

Região registrou geração de 23 mil postos de trabalho em outubro, crescimento superior ao aumento da força de trabalho nas sete cidades

30/11/2016

A taxa de desemprego no ABC registrou recuo pelo terceiro mês consecutivo, passando de 16,0% em setembro para 15,5% em outubro, estimulada pelo aumento da ocupação nas sete cidades. Os números são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, divulgada nesta quarta-feira (30), na sede da entidade regional.

O desempenho positivo no mês passado foi motivado pelo crescimento de 1,9% do nível de ocupação, com geração de 23 mil postos de trabalho, superando o aumento da População Economicamente Ativa (PEA), que teve alta de 1,3%, graças ao ingresso de 19 mil pessoas na força de trabalho da região.

Com o recuo da taxa, o desemprego no ABC registra uma tendência de queda desde maio, quando atingiu 17,1%, ressaltou César Andaku, economista do Dieese. “O resultado em outubro foi positivo, principalmente por ter ocorrido graças a uma alta no nível de ocupação, que se aproximou do patamar no mesmo período do ano passado. Em meses anteriores, a redução da PEA tinha sido o fator determinante”, afirmou, durante a apresentação da pesquisa.

O total de desempregados foi estimado em 222 mil pessoas, uma redução de 4 mil ante o mês anterior. Na análise por setores, o Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas registrou expansão de 7,4%, com geração de 15 mil postos de trabalho, e os Serviços avançou 2,1%, com 14 mil novas vagas. Por outro lado, a Indústria de Transformação recuou 4,3%, devido à eliminação de 11 mil postos de trabalho, com destaque para a queda de 7,4% do segmento de metal-mecânica, que perdeu 9 mil vagas.

“A indústria metal-mecânica tem apresentado uma queda substancial desde julho na região, com perda de cerca de 30 mil vagas em quatro meses. A dúvida é se o segmento poderia voltar aos níveis anteriores quando a crise passar. Nesse momento, isso parece improvável”, disse Andaku.

Em outubro, o número de assalariados aumentou 0,6%. No setor privado, o contingente de empregados com carteira de trabalho assinada ficou próximo da estabilidade, com variação positiva de 0,2%, e o dos sem carteira recuou 1,1%. No setor público, o número de assalariados aumentou em 4,9%. O total de autônomos avançou 6,5% – com alta tanto dos que trabalham para o público (6,4%) como daqueles que trabalham para empresa (8,1%).

Entre agosto e setembro de 2016, os rendimentos médios reais dos ocupados caíram 4,0%, para R$ 2.053, e os dos assalariados tiveram queda de 2,1%, para R$ 2.134, retornando ao patamar registrado nos primeiros meses deste ano, apontou o economista do Dieese. Também diminuíram as massas de rendimentos dos ocupados (-5,1%) e dos assalariados (-4,6%), em ambos os casos, como decorrência da retração dos rendimentos médios reais e, em menor proporção, do nível de ocupação.

Comportamento em 12 meses

A taxa de desemprego total no ABC (15,5%) em outubro deste ano ficou acima da observada no mesmo mês de 2015 (12,5%). O percentual foi o maior para o período desde outubro de 2004 (17,5%), acrescentou o economista do Dieese.

No mesmo intervalo, o contingente de desempregados aumentou em 49 mil pessoas, como resultado da relativa estabilidade do nível de ocupação (eliminação de 3 mil postos de trabalho, ou leve recuo de 0,2%) e da expansão de 3,3% da População Economicamente Ativa (PEA), com 46 mil pessoas ingressando na força de trabalho da região, ou 3,3%).

Entre outubro de 2015 e de 2016, o nível de ocupação recuou 0,2%, mantendo-se relativamente estável. Sob a ótica setorial, o resultado foi afetado pelas quedas na Indústria de Transformação (-5,4%, ou eliminação de 14 mil postos de trabalho) – com destaque para a retração da metal-mecânica (-16,9%, ou -23 mil) – e, em menor proporção, no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (-0,5%, ou -1 mil). Do lado positivo, houve aumento da ocupação nos Serviços (1,5%, ou geração de 10 mil postos de trabalho).

O nível de assalariamento recuou 0,6% nos últimos 12 meses. No setor privado, o contingente de assalariados sem carteira de trabalho assinada diminuiu 3,3%, enquanto o daqueles com carteira avançou 0,6%. O emprego no setor público recuou 7,5%. No período em análise, aumentou o número de empregados domésticos (2,8%), não variou o de autônomos – com redução dos que trabalham para o público (-4,9%) e crescimento dos que trabalham para empresa (8,1%).

Entre setembro de 2015 e de 2016, caíram os rendimentos médios reais de ocupados (-5,8%) e assalariados (-6,3%). Também diminuíram as massas de rendimentos reais dos ocupados (-8,5%) e dos assalariados (-9,8%), em ambos os casos, devido à redução do rendimento médio real e, em menor medida, do nível de ocupação.

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