Notícias

Participação feminina no mercado de trabalho do ABC cresce em 2016

Entre os ocupados nas sete cidades no ano passado, 46,9% eram mulheres, ante 45,8% em 2015

07/03/2017

A presença de mulheres no mercado de trabalho nas sete cidades cresceu em 2016, com sua taxa de participação passando de 53,2%, em 2015, para 54,2%, no ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (7) pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), durante a apresentação do boletim especial Mulher & Trabalho no ABC, elaborado em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

O aumento da presença feminina no mercado de trabalho na região registrado do ano passado ocorreu após queda em 2015, quando havia interrompido uma série de três altas anuais consecutivas, ressaltou Cesar Andaku, economista do Dieese, durante a apresentação da PED. A divulgação da pesquisa marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher, na próxima quarta-feira (8).

“A participação feminina no ABC, que é a proporção de mulheres com dez anos de idade ou mais inseridas no mercado de trabalho, supera Chile (56,5%), Itália (54,1%) e México (46,9%). A taxa, no entanto, é inferior a de países como Dinamarca (75,3%), Alemanha (73,1%), Estados Unidos (66,9%) e Japão (66,8%)”, explicou Andaku.

Em 2016, o nível de ocupação diminuiu 1,4% para as mulheres, enquanto para os homens recuou 5,7%. Do total de ocupados na região do ABC, 46,9% eram mulheres, ante 45,8% um ano antes. No mesmo período, a parcela de desempregadas em relação ao total diminuiu de 49,2% para 48,3%.

A taxa de desemprego total feminina aumentou pelo terceiro ano consecutivo, passando de 13,3% para 16,7%, registrando o maior valor desde os 18,0% verificados em 2006. Já entre os homens, o aumento da taxa de desemprego total foi maior, passando de 11,8% para 15,9%.

O crescimento do desemprego feminino foi resultado da entrada de mulheres no mercado de trabalho da região ao mesmo tempo em que houve diminuição do número de vagas. Com o ritmo diferenciado do crescimento das respectivas taxas de desemprego total, a distância entre as taxas de desemprego entre os dois gêneros diminuiu.

“Com a crise, a diminuição da ocupação foi maior entre os homens em 2015, principalmente por causa das demissões em setores como indústria de transformação e construção, majoritariamente masculinos. No ano passado, devido à continuidade e generalização da crise, as mulheres também foram afetadas”, disse Andaku.

O rendimento médio real por hora diminuiu 10,0% para mulheres e 5,9% para homens. Esse comportamento diferenciado distanciou seus respectivos rendimentos. Em 2015, os valores médios auferidos pelas mulheres correspondiam a 78,7% dos obtidos pelos homens. Um ano depois, essa proporção passou para 75,3%.

No ano passado, as mulheres ocupadas eram mais escolarizadas que os homens. Enquanto 26,7% tinham o ensino superior completo, entre os homens esse porcentual era de 19,6%.

A criação de novos postos de trabalho para o contingente feminino ocorreu somente no Comércio; Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas, com alta de 1,1%. Por outro lado, houve quedas de 1,3% na Indústria e de 2,1% nos Serviços.

O setor Serviços é o maior empregador da região, respondendo por 68,6% do total de postos de trabalho ocupados pelas mulheres, em contraposição a apenas 41,9% dos homens, em razão de concentrar atividades que historicamente absorvem maior proporção de trabalho feminino.

Isto ocorre especialmente nos ramos administração pública, defesa e seguridade social, de acordo com o economista do Dieese, como em educação, saúde humana e serviços sociais (24,2% das mulheres ocupadas), atividades de alojamento e alimentação; artes, cultura, esporte e recreação (14,8%), além dos serviços domésticos (11,3%). O Comércio; Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas é o segundo maior empregador de mulheres (16,5% do total de ocupadas), seguido pela Indústria (13,7%).

A diminuição das desigualdades entre os sexos no mercado de trabalho ainda persiste, de acordo com a analista de mercado de trabalho da Fundação Seade, Leila Luiza Gonzaga. Além da carreira profissional, as mulheres acumulam mais incumbências domésticas e familiares.

“A mulher tem menos tempo para se dedicar ao trabalho que o homem e também enfrenta a resistência de muitos gestores em oferecer cargos de chefia a elas”, afirmou. Para mudar este cenário, defendeu, políticas públicas podem ajudar a mudança de comportamento na sociedade.

Durante a divulgação da pesquisa, o secretário executivo do Consórcio, Fabio Palacio, afirmou que os números apresentados vão contribuir para a tomada de decisões porte das empresas da região. “Os números divulgados são muito precisos e permitem traçar um panorama sobre a participação da mulher no mercado de trabalho das sete cidades”.

PED de janeiro

A taxa de desemprego total no ABC aumentou de 15,5%, em dezembro, para 17,0% em janeiro. Na comparação anual, a taxa ficou dois pontos porcentuais acima da observada no mesmo mês de 2016 (15,0%). O contingente de desempregados foi estimado em 233 mil pessoas, 15 mil a mais do que no mês anterior.

O resultado ocorreu devido à queda de 4,1% no nível de ocupação, com a eliminação de 49 mil postos de trabalho, em número superior ao recuo de 2,4% da População Economicamente Ativa (PEA), motivada pela saída de 34 mil pessoas da força de trabalho da região.

Para os próximos meses, a tendência é a manutenção da queda do nível de ocupação, de acordo com o economista do Dieese. “Ainda não vejo uma mudança de cenário para o mercado de trabalho neste primeiro semestre”, afirmou Andaku.

Na região do ABC, o contingente de ocupados diminuiu 4,1%, passando a ser estimado em 1,137 milhão de pessoas. Setorialmente, este resultado foi afetado pelas quedas de 3,1% nos Serviços (eliminação de 20 mil postos de trabalho), de 7,9% no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (perda de 18 vagas) e de 2,4% na Indústria de Transformação (fechamento de 6 mil postos).

Tags

PED ABC