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Construção e valorização do patrimônio marcam III Fórum Memória do Grande ABC

Evento regional foi organizado pelo Grupo Temático História e Memória do Consórcio, em parceria com o Senac Santo André

23/08/2018

 III Fórum de Memória e Patrimônio Cultural do Grande ABC, realizado nesta quinta-feira (23), deu destaque aos debates sobre instrumentos de construção, valorização, conhecimento e preservação dos bens de natureza material e imaterial nos espaços urbanos. Com organização do Grupo Temático História e Memória do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, o evento aconteceu no Senac Santo André.

Na abertura do Fórum, o secretário executivo do Consórcio, Tunico Vieira, defendeu que a preservação da memória estimula o sentimento de pertencimento a cada uma das cidades da região e também ao ABC. “Resgatar e preservar a história nos dá a sensação de que o espaço é realmente nosso, de que ele nos pertence, mas sem que cada um seja o único dono. Só cuidamos do que amamos e consideramos como nosso. Por isso é necessário manter viva toda a nossa história”, afirmou.

Maurício Costa Carvalhinhos, coordenador de Projetos no Senac Santo André, instituição parceira do Consórcio na realização do evento, ressaltou que o Fórum contribui para o compartilhamento de experiências sobre o tema. “É muito importante resgatar o patrimônio que construímos ao longo do tempo”, disse.

No primeiro painel do evento, a historiadora Lucília Santos Siqueira fez uma exposição crítica sobre bens tombados que abrigam museus. Para a especialista, as informações registradas pelos órgãos de patrimônio são consistentes, mas se restringem ao exposto pelos museus e não englobam as próprias edificações. “Se os museus ignoram que o local foi uma antiga residência, qual o sentido de sua permanência nessas edificações?”, questionou.

A historiadora e arquiteta Flávia Brito do Nascimento apontou que é necessário deixar de tratar o patrimônio na sua excepcionalidade, como se fosse um bem isolado de preservação. Como exemplo, lembrou que durante o regime militar a participação da sociedade nas questões patrimoniais era muito reduzida. “A partir da redemocratização, o debate sobre o patrimônio passou a englobar também elementos como cidadania e movimentos”, explicou.

No período da tarde, o historiador João Lorandi Demarchi apresentou o Inventário participativo, um dos componentes do processo de Gestão Patrimonial. A iniciativa inclui a tomada coletiva de consciência do território e do seu tempo, por meio de elementos como memórias, objetos, pessoas e tradições.

Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, Deborah Regina Leal Neves apresentou a experiência em educação patrimonial realizada pela Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH). Para compartilhar uma iniciativa desenvolvida na região, Marco Moretto Neto, diretor na Secretaria de Cultura de Santo André, falou sobre o desenvolvimento de instrumentos participativos para difusão e preservação do patrimônio andreense.

Desde sua primeira edição, realizada em 2015, o Fórum de Memória e Patrimônio Cultural do Grande ABC tem como objetivo fortalecer a formação dos gestores municipais na área de patrimônio, a preservação do mesmo e dos bens culturais, além de valorizar a riqueza cultural das cidades da região e a educação patrimonial da população.

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HISTÓRIA E MEMÓRIA